domingo, 26 de maio de 2019
domingo, maio 26, 2019 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
Hoje, 26 de maio de 2019, completam-se dois anos e meio do nosso retorno ao Brasil. 30 meses daquele pisar em terras firmes, literalmente, daquela sensação de liberdade que nos tomou, daquela euforia de se livrar de um ano de perseguições e perrengues. Os primeiros dias aqui foram de pura paz, de reconhecimento de terreno, de contemplação e gratidão. Gratidão por termos conseguido enfrentar 48 horas em trânsito, praticamente como foragidos, não daqueles que deixam seus países para fugir da fome, da miséria, das guerras, mas daqueles que voltam ao seu país para fugir de uma guerra particularmente cruel, a guerra da vingança cega e desenfreada, que nem a justiça portuguesa foi capaz de cessar, a guerra da desigualdade de gêneros, da criminalização da mulher, a guerra que sempre atinge o elo mais fraco.
A recuperação de uma guerra dessas é lenta e, apesar da euforia inicial da libertação, juntou-se a essa recuperação, a síndrome do regresso, uma readaptação que por si só, já é um grande desafio. Resignificar a vida depois de tantos sonhos deixados para trás, o sonho de viver no exterior, as diferenças gritantes de segurança, educação, cultura. Foram dois anos e meio morando na Europa e, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, alguns aspectos relacionados à qualidade de vida são infinitamente superiores aos do Brasil. Não foram poucas as vezes, nesses dois anos e meio de volta, que pensei seriamente em retornar para a Europa, em tentar recuperar oportunidades que deixei por lá. Mas as feridas abertas por aquela guerra faziam lembrar que nenhuma oportunidade valeria mais que a autonomia de estarmos em nosso país de origem. Dessa forma, fomos aproveitando as oportunidades que se abriam por aqui.
Seguimos a correnteza do rio da vida, que nos levou a diversos caminhos, descortinando paisagens deslumbrantes, apresentando figuras fascinantes e desmascarando situações desconcertantes. Toda uma trilha seguida até, finalmente, podermos começar a colher os frutos que plantamos constantemente, mesmo em meio às tormentas, aquele acreditar inabalável, a gratidão mesmo nos momentos de maior turbulência. Foi dessa gratidão que mais bênçãos foram chegando e hoje estou no ponto exato que sonhava, quando planejava o nosso retorno: estabilizada em uma cidade que, comparada a outras capitais que já vivi no Brasil, pode ser considerada uma das melhores, apesar de tudo. Fazendo um trabalho que eu amo. Uma família reestruturada e saudável, podendo contemplar as pequenas alegrias da vida. Saber que a justiça está sendo feita, ainda que a passos lentos. Estar ao lado de alguém que admiro e amo profundamente, alguém que nos ensina importantes lições, alguém com quem posso compartilhar minha vida sem me anular, alguém que foi fundamental para a nossa cura e com quem a troca é sempre gratificante.
O tempo agora se igualou, dois anos e meio lá e dois anos e meio cá, dois anos e meio de vários sonhos realizados e a certeza de que muitos outros ainda virão. A felicidade não depende mesmo do lugar onde estamos, porque ser feliz, no fim das contas, é só uma questão de decisão.
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| Foto por Lysie Marion |
quinta-feira, 8 de março de 2018
quinta-feira, março 08, 2018 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
Trezentos destinos, trezentas histórias. Trezentos caminhos, trezentas mulheres. Mães, filhas, irmãs, primas, amigas, esposas. Médicas, advogadas, psicólogas, terapeutas, contadoras, jornalistas, empreendedoras, artistas. Guerreiras, batalhadoras, sofredoras, amadas, amantes, decepcionadas, esperançosas, sonhadoras. Trezentas mulheres que se uniram por uma causa: sororidade.
Tantas lágrimas, tantos sorrisos, de todas as partes, de todas as idades. Reunidas, elas sentem a força que só as mulheres podem emanar.
Uma sonhava com uma família. Casou com o primeiro namorado, o primeiro amor, estudaram juntos, trabalharam juntos. Tiveram lindos filhos. Um dia ele deixa a mulher para viver uma nova aventura. A vida que ela construiu ao lado dele desmorona. Não seria tão mal se ela não sofresse o abandono dos filhos, porque ela, como mulher, tem que criá-los, a partir de agora, sozinha. Aceitar uma pequena contribuição financeira por parte dele e a visita a cada quinze dias, quando ele não estiver ocupado com sua nova vida. Ela, a mãe e esposa dedicada por tantos anos, é agora a megera que só quer saber do dinheiro dele. Louca.
Outra era muito famosa, independente e livre. Tinha uma excelente carreira, não queria ter filhos. Apaixonou-se por um colega de trabalho, só queria namorar e ser feliz. Namoraram e foram felizes por um bom tempo. Cada um com a sua vida, independentes, mas compartilhando o que gostavam, jantares, viagens, passeios. Até o dia que ela fez algum comentário que o desagradou e ele lhe deu um soco no rosto. O olho ficou roxo. Não podia ser, tudo sempre tão perfeito. Foi um equívoco, ele pede desculpas e ela aceita. Mas a cena volta a se repetir, cada vez mais frequentemente. Tapas, socos, empurrões. Ela não aguenta mais. Resolve denunciá-lo e deixá-lo. Como assim deixar tão bom partido, apaixonado por ela? Louca.
Uma mais velha tem um casamento tranquilo e uma carreira estável. Mas antes de chegar até ali sofrera nas mãos de uma mãe tóxica, que abusava dela psicologicamente. Ela não valia nada aos olhos da mãe. Era sempre menos inteligente, menos bonita, menos esperta, menos tudo que qualquer outra pessoa. A mãe colocava nela todas as frustrações que teve na vida. Para se livrar de tanta humilhação e sofrimento, a única forma que encontrou foi cortar a mãe de sua vida. Mas mãe é mãe, que exagero, é coisa de mãe, mãe é assim mesmo. Não se deve dar as costas para a própria mãe. Louca.
Outra bem jovem, órfã de pai e mãe, viveu em orfanato e depois foi adotada por uma família muito rica. Davam-lhe de tudo. Era bonita e quando o corpo começou a desenvolver o pai adotivo começou a querer dormir no seu quarto. Ia todas as noites, depois que a esposa dormia, "visitar" a filha. Abusava dela e dizia que se ela contasse a alguém estaria perdida, afinal de contas, era uma pobre órfã e perderia tudo que tinha. Passou cinco anos vivendo assim. Aos dezesseis fugiu de casa e foi viver na rua. Conheceu artistas e aprendeu com eles, tornando-se artista também. Mas trocar o conforto de um lar, tudo o que fizeram por ela pra fazer arte nos sinais? Louca.
Não era a única das trezentas que tinha sofrido abusos. Uma delas sofreu na escola. O professor "convidava" as alunas para sair em troca de boas notas. Ela não queria porque sabia que podia tirar boas notas sem precisar sair com ele. Então ele deu-lhe uma nota baixa, mesmo ela tendo acertado toda a prova. Quando foi questioná-lo, depois da aula, sobre sua nota, o professor trancou a porta e a estuprou. "Não quer por bem, vai por mal", ele disse. Ela tentou denunciá-lo. Foi à diretoria da escola. Como assim? Um professor renomado como ele não faria isso. Vamos transferi-la de escola. Louca.
E a que namorava o colega da faculdade. Eram um casal apaixonado. O pai dele tinha ótimos planos para o futuro do jovem. Ele só queria transar sem camisinha, ela tinha medo de engravidar. "Só uma vez, não vai acontecer" ela a convenceu. E aconteceu. Ela engravidou. E agora? "Calma, tudo vai se resolver." O pai do namorado veio conversar com ela oferecendo dinheiro para o aborto. "Não, não quero abortar!". Mas destruir o futuro de um jovem com uma carreira tão brilhante pela frente? O namorado a chama para passear e a empurra na frente de um ônibus. Um pedestre ajuda a moça, que por sorte, não sofre nada de mais grave. Denunciar uma família poderosa como a dele? Nem a família dela a apoia, afinal ela foi burra e vadia de abrir as pernas assim pro namorado. O jeito é fugir e criar o filho sozinha. Louca.
Outra foi casada por anos e como tinha boas condições financeiras, sempre investiu na carreira do marido. Tinha dois filhos e largou tudo para viver os sonhos dele ao lado dele. Colocou toda a sua força e seu dinheiro naqueles sonhos. Ele aproveitou e usou tudo que podia, levou ela e os filhos pra viver na Europa. Era o sonho dele. Quando o dinheiro dela acabou ele resolveu ir embora. Afinal, ela não podia mais financiar os seus sonhos. Ele era parasita, psicopata, mas ela levou meses para perceber isso. Ele sugou tudo que podia dela e depois deu as costas para os próprios filhos, deixando-os na sarjeta. E ainda infernizou a vida dela: perseguições, agressões físicas e verbais. Não quer mais sustentá-lo, então vai sofrer. Infernizou tanto, que ela teve que fugir com os filhos de volta ao seu país. Fugir da Europa, com duas crianças? Louca.
Trezentas. Trezentas histórias tão únicas e ao mesmo tempo tão similares. Trezentas lutando com um ex-marido, um ex-namorado, um pai, uma mãe, um padastro, um chefe, um colega de trabalho. Trezentas lutando para terem seus direitos respeitados. Trezentas lutando para terem o direito de serem mulheres em um mundo patriarcal. Trezentas lutando contra o mundo, porque para o mundo, elas são loucas.
Trezentas que salvam a vida de trezentas. A fuga, a doação, a ajuda psicológica, financeira, jurídica, o apoio moral, o simples espaço para ser quem são sem medo de serem taxadas de loucas. Afinal, ali, todas são loucas. Todas são sobreviventes e se identificam umas com as outras. Um grupo de trezentas mulheres, um alicerce. Que salva-vidas. Que muda destinos. Trezentas juntas. Deusas, feiticeiras. Loucas.

sábado, 24 de fevereiro de 2018
sábado, fevereiro 24, 2018 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
Não é de agora que as listas estão na moda. Pipocam nas telas dos computadores, tablets e celulares, matérias com um número no título: 10 filmes franceses imperdíveis, 8 cidades de contos de fada, 50 melhores guitarristas de todos os tempos... Ou ainda as listas de 100, que até livro viraram! 100 filmes para ver antes de morrer, 100 livros para ler antes de morrer, 100 experiências que você tem que ter antes de morrer. Nossa, são tantas 100 coisas a fazer antes de morrer que às vezes me sinto intimida a não morrer sem fazê-las, ou eu teria levado uma vida vazia.
Prefiro pensar em listas mais leves, mais livres, e que possam me trazer mais satisfação do que uma imposição ao que eu deva ou não deva fazer antes de morrer. Uma vez vi um filme, desses de sessão da tarde, onde a protagonista fazia uma lista de 100 motivos para o seu amor perdoá-la por uma mancada. Inspirei-me de tal forma, que fiz uma lista de 100 motivos para tentar convencer um romance meu da época de que poderíamos ficar juntos. A lista ficou bem legal, ilustrada e tudo, e quando a enviei para o meu affair, ele ficou bastante feliz. Mesmo que a lista não tenha atingido o seu objetivo na época, que era termos uma relação, foi divertidíssimo fazê-la. E continuo gostando muito da ideia de fazer listas descontraídas, sem imposições. Convido você, meu leitor, a fazer o mesmo!
Um exemplo: 100 motivos para agradecer (ou para celebrar). Todo mundo pode fazer uma lista assim, pelo menos uma vez por ano. Porque o mais comum é sempre ouvirmos o que está ruim, o que podia melhorar, o que saiu errado, reclamações, resmungões, chororô. A vida é dura, sim, mas tem inúmeras belezas que passam batidas na mania intrínseca do ser humano moderno de reclamar. Tudo bem? Tudo indo... Tenho um carro, mas ele podia ser melhor... Tenho uma casa, mas ela podia ser melhor... Tenho uma família, mas ela podia ser melhor... Tenho um emprego, mas ele podia ser melhor... Tenho um corpo, mas ele podia ser melhor... Pára! Pára tudo! Que tal exercitamos mais a gratidão e menos o "podia ser melhor"? Quanto mais a gente agradece, mais o universo traz pra gente... Isso é uma lei básica de atração. Tudo é energia. Emane energia positiva!
Então, vamos começar uma lista de 100 motivos para agradecer, mais ou menos assim: ter dois filhos lindos e saudáveis, ter saúde para acompanhá-los e fazer o que eu quero, já ter realizado alguns dos meus sonhos. Tá bom, tá bom, essas coisas normalmente todo mundo agradece. Mas dá para incrementar essa lista com pequenas coisas do dia a dia que passam despercebidas e fazem a gente dizer "tudo indo" ao invés de "tudo lindo".
Pequenas coisas que tem acontecido e que eu paro para agradecer: fazer sol no feriado depois de uma semana de chuva, começar a chover assim que você pôs os pés em casa, receber um convite para jantar com uma amiga querida, descobrir uma promoção no supermercado, justo naquele item que você mais precisava, receber um dinheiro antes do previsto, receber um dinheiro que você nem esperava mais receber, conhecer uma pessoa nova, receber um elogio desinteressado, encontrar uma roupa do seu tamanho, no modelo que você amou, ganhar roupas doadas, perfeitas e lindas, acordar com um monte de beijinhos do filho, descobrir uma nova banda ou uma nova música que você fica cantarolando semanas seguidas, achar um livro interessante no meio das tralhas, conhecer uma praia diferente, fazer uma viagem inesperada, receber uma mensagem do crush, ouvir uma confissão da filha adolescente, achar uma barra do seu chocolate favorito em promoção, encontrar um bom vinho em preço razoável e poder beber umas taças para relaxar, comer peixe no calçadão com vista para o mar, achar coisas em perfeito estado quando você está recomeçando do zero, poder colocar sua música favorita bem alto e dançar feito um louco pela casa, achar dinheiro esquecido no bolso, dividir as roupas com a filha, conhecer pessoas que tem os mesmos ideais que você, seguir sua intuição e ver que ela estava certa, receber uma mensagem bacana naquele momento de solidão, poder tomar um banho quentinho no final de um dia cheio, conversar com um estranho como se fosse da família e sair da conversa mais leve, ter o que comer, mesmo quando o mês sobra no final do salário, descobrir lugares de comida gostosa e barata, ter braços e pernas para ir e vir e fazer o que quiser, poder enxergar, ouvir e sentir, poder falar, nem que seja sozinho, ter uma mãe, um pai, um filho, uma filha, um irmão, uma irmã, um tio, uma tia, um amigo, uma amiga, ou pelo menos uma pessoa no mundo a quem você possa abraçar, poder abraçar a si mesmo.
Enfim, poderia escrever muito mais do que 100 motivos para celebrar e agradecer todos os dias. Afinal, estarmos vivos já é um belo começo. E você, qual seria sua lista de 100 motivos?

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
sexta-feira, dezembro 29, 2017 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
Mais um ano vai chegando ao fim... E o que 2016 teve de pesado e difícil, 2017 teve de leve, de lindo! Foi um ano cheio de amor, de partilha, de aprendizado, de momentos únicos!
Esses dois últimos meses do ano foram um pouco complicados para mim, particularmente, mas agradeço também a estes momentos de escuridão, porque só com eles é que podemos enxergar a luz. E o balanço de 2017 está muito mais do que positivo!
Dando prosseguimento a minha tradição pessoal de abrir o "pote da gratidão" no final do ano e agradecer por todos os momentos lindos dos últimos 365 dias, eu faço aqui a minha lista de melhores do ano:
- Conhecer pessoas mais que especiais que marcaram minha vida e que estarão sempre em meu coração;
- Aprender a fazer duas coisas que eu achava que ia morrer sem saber: andar de bicicleta e nadar;
- Realizar o projeto que idealizei em 2015, o Kids on the Road;
- Descobrir a Astrologia Sideral, que tem se tornado uma nova luz no meu caminho;
- Conhecer lugares mágicos e desfrutar de momentos ímpares em meio a natureza;
- Compartilhar o sonho da minha filha de ver o Bon Jovi ao vivo;
- Participar de um momento especial na vida de uma grande amiga;
- Assistir ao Midnight Oil, banda que eu nunca imaginei ver ao vivo;
- Descobrir novas músicas e artistas que fazem parte da minha trilha sonora diária;
- Tornar-me artista de rua;
- Poder experimentar vários caminhos para saber qual deles quero seguir;
- Fortalecer a minha relação com meus filhos e ter a companhia e o sorriso deles sempre comigo!
Termino esse ano com muita paz no coração, sabendo que o universo está se encarregando de tudo para o próximo ano e só posso desejar que 2018 venha repleto de luz e amor para todos nós!
Até já!
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
quinta-feira, outubro 26, 2017 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
A frase é de uma propaganda de cigarros, mas me fez refletir. Acreditar em quem eu sou. Como podemos acreditar em nós mesmos sem sofrer influências exteriores? Sem levar em conta tudo o que acham que devemos ser? Você é jovem/velho demais para isso. Você tem filhos, não pode agir assim. Você não tem filhos, não sabe como é. Você se criou na cidade, é urbano. Você gosta do mato, é um hippie. Você não se apega, não tem sentimentos. Você se apega demais, vai sofrer à toa. Você é de tal signo, por isso é assim.
Será possível sermos nós mesmos sem sermos bombardeados de pré-conceitos? Talvez não, mas creio que podemos e devemos ser nós mesmos, independente desses pré-juízos que ouvimos dos outros e de nós mesmos. Muitas vezes, talvez por toda essa tagarelice da sociedade, a gente fica meio perdido e não sabe bem quem a gente é de verdade. Seguimos uma profissão que nem gostamos tanto porque, em teoria, dá mais retorno financeiro, ou porque nossos pais sempre sonharam com ela. Acreditamos que agimos de determinada forma porque sofremos influência do nosso signo solar, ou do nosso ascendente, ou da nossa lua, ou da casa 4 em mercúrio retrógrado. Whatever. Nos conformamos com isso. Ah, Gêmeos é assim mesmo, fazer o quê? Nos mantemos em relacionamentos com pessoas que não nos fazem bem, seja um companheiro(a), um parente, até mesmo pai e/ou mãe, porque "devemos" algo a eles, porque seria feio ou injusto cortarmos os laços com tais pessoas.
Como acreditar em quem nós somos se não sabemos quem somos? Então, como saber quem somos? Acredito que só há um caminho para essa descoberta - o caminho do coração. Podíamos ouvir mais o nosso coração e menos a nossa mente, acanhoneada full time por discriminações intrínsecas da nossa criação. E esse caminho do coração pode mudar constantemente, afinal de contas nós nascemos todos os dias ao acordar e morremos todas as noites ao dormir. Então, o que eu sou hoje, pode não ser o que eu serei amanhã, mas pode ser a única hipótese de acreditar em quem eu sou; o agora, o instante. Como diria a minha favorita, Clarice Linspector, meu tema é o instante, meu tema de vida. Divido-me milhares de vezes, em tantas vezes quanto os instantes decorrem. Só no tempo há espaço para mim. E acredito em quem eu sou: essa colcha de retalhos dos fragmentos do tempo, as lembranças, os instantes vividos um a um intensamente, com todas as alegrias, tristezas, emoções e confusões que cabem em um único momento, um caleidoscópio vivo e infinito. E você, acredita em quem você é?

sábado, 19 de agosto de 2017
sábado, agosto 19, 2017 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
Me chamem louca porque sou uma metamorfose ambulante. Porque não me acostumo a viver uma vida que não me faça feliz. Porque não acredito que a felicidade seja um acúmulo de bens, posses ou coisas, pelo contrário, a felicidade pode ser o desapego de tudo e o caminhar livre, aceitando o que o universo nos traz.
Me chamem louca porque eu sou desapego. Não me apego a bens materiais, a nada que eu possa ter ou tocar, me apego ao que eu possa ser. Meu apego é de sentimentos, de compartilhar. Nunca tive muito e tudo que tive sempre compartilhei, dei, doei, deixei pra trás. Não me atenho a pequenas coisas, a mesquinharia não faz parte do meu vocabulário. Por isso a abundância está sempre presente. Abundância de histórias, de experiências, de sorrisos, de abraços, de amor.
Me chamem louca porque eu tenho oportunidade de reconstruir e não reconstruo. Reconstruir o que? Não quero muralhas, fortes, casas cercadas, seguras e confortáveis, abarrotadas de corações vazios. Prefiro os castelos de areia. Enquanto os construo me divirto, junto daqueles que mais amo, os meus filhos. Construímos juntos castelos com a nossa cara, castelos divertidos, cheios de cor e amor. E quando eles desmoronam, a gente ri junto e parte para o próximo. Assim ensino a eles que o futuro é relativo. Que é legal a gente pensar nele, fazer alguns planos e caminhar em direção a eles, mas sem esquecer nunca que a qualquer momento vem um vento qualquer que derruba tudo, então o importante mesmo é aproveitar enquanto fazemos os castelos de areia e deixar o resto para o universo resolver. E ele sempre resolve, sempre nos traz o que a gente precisa, na hora que a gente precisa.
Me chamem louca por eu dizer uma coisa e depois dizer outra. Não é que eu não tenha palavra. Quando eu digo, eu digo com toda a sinceridade, eu coloco o meu coração nas palavras. Mas meu coração é mutável. E eu sou uma pessoa muito fiel, fiel ao meu coração. Se eu depois disser outra coisa, não é loucura, é sentimento. E sentimentos geram expectativas. E o que são as expectativas se não a nossa projeção em algo ou alguém?
Me chamem louca então por eu não ter expectativa alguma, por viver livre e ter a capacidade de mudar absolutamente tudo se algo me faz mal. Por eu não ter expectativa alguma, apesar de gerar expectativas nos outros. Eu sinto muito se eu gerei alguma expectativa não cumprida. E me chamem louca se ser fiel a si mesmo é loucura.
Me chamem louca se eu não acredito no que a maioria diz. Se a minha mente me prega armadilhas e eu de vez em quando pareça uma pessoa "normal". E quando todos achem que eu finalmente virei uma pessoa normal, eu faça tudo ao contrário e pareça louca. Não é para ser do contra. Não é egoísmo. Não é traição. Muito menos ingratidão. É apenas seguir o meu coração. E se seguir o coração em um mundo tão cheio de "razão" é loucura, me chamem louca então...
quarta-feira, 26 de julho de 2017
quarta-feira, julho 26, 2017 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
A vida é feita de ordem e caos. A cada caos, a ordem que se segue supera a anterior e saímos fortalecidos de mais um ciclo. Às vezes o caos pode fazer parecer que tudo deu errado. Entretanto, muitas vezes o "dar errado" é só uma forma do universo nos colocar no nosso caminho novamente e fazer tudo "dar certo".
Quando voltei para o Brasil, acreditei que tinha encontrado o lugar perfeito para viver com meus filhos. Foi perfeito, enquanto durou. Mas o caos veio à tona para me lembrar da maior lição que eu aprendi no último ano: me doar sem me anular. Talvez eu seja ingênua, talvez só alimentada pela esperança e a beleza de encontrar pessoas que vivam suas vidas e deixem que os outros vivam as deles. Quando os ciclos se repetem, normalmente é para que aprendamos alguma coisa. Será que eu teria que aprender a confiar menos, a me entregar menos e ser menos eu? Não, não quero aprender essa "lição". O que aprendo é que, apesar de tudo, eu vou continuar espalhando amor, vou continuar sendo transparente e vou sempre ser eu mesma, ainda que não sendo a mesma para sempre. E se os ciclos se repetem, de pessoas que me julgam, me apontam o dedo, me dizem uma coisa pessoalmente, mas nas costas pensam e falam outra, de pessoas que tem um lindo discurso para a sociedade, mas na prática agem e vivem contraditoriamente, que se repitam, eu apenas levo a paz e a certeza de que coloco todo o meu amor em tudo que faço.
Quando vem o caos, temos que colocar nossa criatividade em prática e procurar soluções para estabelecer a ordem novamente. Um dos primeiros lugares que pensei, ao voltar para o Brasil, foi São Francisco de Paula, a cidade que morei antes de ir para a Europa. Porém, tinha muitas dúvidas e muita incerteza de como recomeçar a vida por lá. Mas uma coisa linda em ser nômade, é que posso espalhar amor em muitos lugares e esse amor acaba por voltar pra mim, porque tenho a sorte e a alegria de encontrar pessoas mágicas e incríveis por todo o meu caminho. Foi com a energia dessas pessoas que, em menos de duas semanas na cidade, eu consegui encaminhar nossa nova vida e restabelecer a nossa paz, minha e das crianças, que estão muito felizes em voltar para uma das cidades brasileiras mais lindas que conhecemos.
E esse se torna, pra mim, o grande propósito da vida: simplesmente amar, sem esperar nada em troca e sabendo que muitas pessoas ainda não estão preparadas para o amor. Porque amar livremente ainda é considerado loucura. Mas louco é quem me diz, e não é feliz...

sábado, 8 de julho de 2017
sábado, julho 08, 2017 por Grazi Calazans em produção Sem comentários
Coordenação de produção dos eventos da Chácara Sol Nascente, no Rio Grande do Sul, de janeiro a junho de 2017.




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
sexta-feira, fevereiro 24, 2017 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
Hoje completa-se um mês daquele 24 de janeiro, uma tarde chuvosa de uma terça-feira, onde seguimos viagem após um dia agitado e corrido, saindo da rodoviária de Porto Alegre rumo ao sul do estado. Depois de toda a euforia do retorno à terra que deixamos ao ir para a Europa, dois anos e meio antes, seguimos entusiasmados rumo ao desconhecido. A única coisa que eu sabia sobre o nosso destino, era que se tratava de uma fazenda de permacultura, localizada em um pequeno município próximo a Tapes. Nas negociações para a nossa chegada, desde o mês anterior, eu já tinha me identificado com o lugar pela descrição da filosofia e das atividades que ali se desenvolviam. Mas era preciso ver na prática, conhecer o lugar e as pessoas para ver se realmente seria o lugar onde finalmente poderíamos aportar, depois de quase dois anos sem um lar.
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| Paisagens ao redor da Chácara |
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
quinta-feira, fevereiro 02, 2017 por Grazi Calazans em blog 1 comentário
Há muitos estudos sobre o poder da nossa mente, do quanto podemos trabalhar nossos pensamentos para terem resultados reais em nossas vidas, no que desejamos para nós. Não somente acredito nestas teorias, como tenho as colocado em prática. Por muito tempo, na verdade, eu já utilizava esse 'poder da mente', mas de forma inconsciente. Nos últimos tempos, diante de acontecimentos muito marcantes na minha vida, eu acabei por tomar uma maior consciência desse poder e a me aperceber do quanto nossos pensamentos realmente influenciam no nosso dia a dia.
A consciência de que somos o que pensamos ajuda muito para a realização dos nossos sonhos. Mentalizar, movimentar, mesmo que apenas um milímetro por vez, em direção àquilo que acreditamos. E o mais importante: nunca desistir. Passei quase dois anos buscando um futuro diferente para os meus filhos. Queria encontrar para eles um lugar em meio à natureza, onde eles pudessem crescer aproveitando melhor a infância, sem a necessidade inútil de aparatos tecnológicos que hoje em dia se faz tão presente nos grandes centros. Queria encontrar uma forma de viver com eles, e não somente sobreviver. Não foi fácil, o caminho até encontrar este tão sonhado lugar foi tortuoso, com muitos obstáculos. Em muitos momentos tive dúvidas de como realizar isso na prática. Entretanto, nunca deixei de acreditar e de me movimentar para a realização deste sonho, por mais que os imprevistos e a pressão fossem muito grandes, mantendo meu pensamento sempre otimista e focado. É o grande cliché, quem acredita sempre alcança.
Era como se eu soubesse que em algum momento eu encontraria esse lugar, que eu poderia dar a eles essa vida que eu imaginei depois de tantas e tantas viagens com ambos. Foi como uma grande recompensa encontrar este lugar, exatamente como o tinha imaginado, e ainda com alguns bônus que poderei desenvolver, como a questão cultural, minha veia mais pulsante. Ou seja, se somos perseverantes em nossa busca, acabamos por encontrar aquilo que tanto buscamos, custe o tempo que custar. Por mais que nossa vida esteja de cabeça pra baixo, que tenhamos a sensação de que nada dá certo e que tenhamos vontade de jogar tudo para o alto, se soubermos usar toda essa força que temos em nossa mente, as peças do quebra-cabeças vão se montando até encontrarmos a paisagem final. Você de fato não precisa ver a escada inteira para começar a subi-la. Mas se nunca puser o seu pé no primeiro degrau, nunca chegará ao final dela. E no fim, mesmo com todas as tempestades do caminho, o sol sempre volta a brilhar.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
sexta-feira, dezembro 30, 2016 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
Como eu sempre digo e realmente acredito, tudo na vida tem um lado bom e até 2016, esse estranho ano que parece ter sido um filme dirigido por Quentin Tarantino, teve seu lado maravilhoso... Mas nós temos o triste hábito de lembrar mais das coisas negativas, das coisas ruins que aconteceram, pois elas parecem nos marcar mais do que as pequenas vitórias.
Um bom exercício para mudarmos esse hábito e atrairmos boas energias para nossa vida é exercemos a gratidão. E para nos ajudar a lembrar cada coisa a que podemos ser gratos, podemos fazer uma pequena brincadeira no início do ano, uma sugestão que vi na internet e achei muito interessante: pegamos um pote vazio e um bloquinho de papel. Para cada coisa boa que nos acontecer durante o ano, que seja uma pequena coisa, mas que nos faça feliz, que nos traga uma alegria, a gente anota no papel, dobra e coloca dentro do pote. No final do ano a gente abre o pote da gratidão e vai vendo quanta coisa boa o ano nos trouxe!
Eu não fiz isso no início de 2016, mas tenho na cabeça tudo que me trouxe muita alegria esse ano, então só posso agradecer por tanta coisa mágica e desejar que o lado bom de 2017 seja ainda melhor!
O meu "pote da gratidão" de 2016, seria o seguinte:
- Ver shows maravilhosos como Damien Rice, The Mission, Anathema, Iron Maiden, Black Sabbath, Nightwish, Tarja Turunen, Opeth, Napalm Death (acho que foi o ano em que mais vi shows de toda a minha vida);
- Realizar o grande desejo de ter o cabelo azul;
- Fazer finalmente a minha 5a tattoo;
- Conhecer pessoas incríveis, que farão parte da minha vida para sempre;
- Reencontrar com a Floresta da Tijuca, um momento mágico e inspirador;
- Conhecer o poder e a liberdade de viajar sozinha;
- Confirmar o quanto os meus filhos me amam e que nada pode nos separar;
- Descobrir uma força que nem eu imaginava que eu tinha;
- Confirmar que o amor, quando é verdadeiro, não há distância ou tempo que o apague, ele vive dentro da gente, nos confortando e iluminando.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
quinta-feira, dezembro 01, 2016 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
8 meses, 10 dias e 6 horas de espera. A espera pelas passagens que nos trariam de volta para o Brasil. Eu me inscrevi no Programa de Apoio ao Retorno Voluntário em Portugal no dia 15 de Março. Foram longos meses de espera, muitas dúvidas, muitas incertezas, muito medo, muita pressão. Mas também foram momentos intensos, em que a minha relação com os meus filhos ganhou um significado ainda maior, se fortaleceu e vivemos momentos incríveis e inesquecíveis. A ansiedade por recomeçarmos nossa vida era muito grande, mesmo sem saber direito qual caminho seguir, mas com Dimi e Layla sempre me dizendo: "vamos voltar para o Brasil, mamãe!". A resposta do programa de retorno saiu em 8 de setembro, quando eles finalmente teriam as passagens para regressarmos. Ficamos os três muito felizes, estava tudo certo, tudo pronto. Mas chega o que seria o pior dia da minha vida. O dia 24 de outubro de 2016. O pai deles aparece em tribunal, depois de ter faltado duas audiências, de estar devendo 880 euros de pensão e de ter visitado-os 2 vezes em seis meses, me desqualificando como mulher e como mãe, fazendo este tribunal suspender o apoio ao nosso retorno, e uma juíza (uma juízA!!!) me propor entregar meu filho ao pai e voltar apenas com a minha filha para o Brasil, ou eu poderia perder os dois para um instituição, já que me encontrava em uma situação vulnerável.
Mais vale um pássaro na mão do que dois voando. Diga isso aos pássaros que nunca se separaram por mais de uma semana em cinco anos. Diga isso a dois irmãos que, não bastasse os traumas que enfrentaram nos últimos meses, deviam agora ser separados pelo capricho daquele que diz amá-los acima de tudo. E uma mãe que fez das tripas coração para manter esses irmãos unidos, que se virou em trezentas para ser mãe, pai, avó, avô, amiga, amigo, professora, médica, terapeuta, era agora encurralada na parede e julgada como se fosse a criminosa. O crime? Pedir para voltar ao meu país para dar uma vida digna aos meus filhos... Perdi meu chão. Perdi meus sentidos, caindo sentada na estação de metro em Lisboa, imaginando minha vida sem meu filho. Mas eu consegui me reerguer. Graças à força de centenas de pessoas que de fato se preocupavam comigo e com meus filhos, pessoas que sequer nos conheciam mas que perdiam o sono porque estávamos em uma situação intolerável. Eu descobri uma força ainda maior, e no dia 24 de novembro, exatamente um mês depois daquele fatídico dia, deixamos para trás o buraco na garagem no centro de Lisboa, partindo para o nosso maior desafio, rumo à nossa nova vida. Tudo, absolutamente TUDO, fluiu perfeitamente. Uma corrente muito forte, muito intensa de positividade nos trouxe em segurança para o nosso destino, o nosso país. Éramos uma família unida e feliz, voltando para casa. No primeiro voo, quando fecharam as portas do avião aconteceu o que eu esperei por tantos meses: a minha cura. Chorei de soluçar, com meus filhos emaranhados no meu colo e a única coisa que senti (e sinto desde então) foi PAZ.
Não tenho palavras para agradecer cada uma das pessoas que nos ajudaram. Foram muitas. Não preciso citá-las, cada um de vocês sabe o quanto nos ajudou. Aos amigos do Brasil que me apoiaram, me acompanharam em todos esses meses de luta, estamos aqui. Estamos no mesmo fuso horário, poderemos em breve nos ver, nos abraçar. Aos amigos que deixamos do outro lado do Atlântico, fica a nossa lembrança carinhosa e a certeza que nos reencontraremos em breve, em uma situação bem diferente.
A liberdade, a alegria de ver meus filhos vibrando de alegria, "quicando" de felicidade por estarem em casa, com pessoas queridas, sem medo, sem sufoco, não tem preço. Poderei dar a eles agora a vida que eles merecem. Gratidão. Gratidão. Gratidão. Eterna gratidão.

sábado, 10 de setembro de 2016
sábado, setembro 10, 2016 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
O dia 10 de setembro será para sempre uma data importante na minha vida. Primeiro porque foi o dia em que comemorei meu aniversário por 34 anos. Como assim, não comemora mais? Eu expliquei um pouco dessa história meio louca aqui neste texto... Confesso que ainda é um pouco conflituoso para mim e também curioso, porque em todos os meus documentos a minha data de nascimento continua como 10 de setembro, pelo menos por enquanto, então eu hoje poderia sair para comemorar e ganhar um jantar ou um champanhe de graça, além de ter recebido várias mensagens de parabéns de empresas e serviços que tem a minha data de aniversário no cadastro... Mas enfim, eu hoje não quero falar do meu (des)aniversário.
O segundo motivo porque esta data será sempre importante para mim é que foi a data em que tomei uma das decisões mais importantes e difíceis da minha vida. Foi o dia em que, há exatamente um ano atrás, eu peguei meus filhos pelo braço, com a roupa do corpo, e decidi viver uma nova vida. Decidi me libertar de tudo que me fazia mal, decidi arriscar, entrar em um caminho totalmente novo e desconhecido. Eu sabia que não ia ser nada fácil, mas nenhuma mudança o é. E como Alice, eu tive que cair no buraco antes de conhecer o País das Maravilhas. E também como Alice, trilhei um caminho em busca da minha independência, aprendendo a equilibrar a busca da realização dos meus sonhos e dos sonhos dos meus filhos.
Hoje agradeço e celebro esta decisão. Agradeço e celebro cada etapa, desde o atirar-me de olhos vendados, ao reerguer-me a pequenos, porém verdadeiros passos. Agradeço, inclusive, por tudo aquilo que eu desejei intensamente e não aconteceu. Porque tudo que não saiu como eu esperava, trouxe na sequência uma nova possibilidade, e cada nova possibilidade me trouxe mais conhecimento, mais harmonia e mais paz ao meu coração.
Hoje agradeço e celebro cada pessoa que entrou na minha vida e cada pessoa que saiu dela neste último ano. Cada um que estendeu a mão ou que virou as costas. Cada pessoa que retornou, de alguma forma, para o meu caminho. Agradeço e celebro por ter aprendido tanto sobre mim mesma, por ter descoberto que eu posso continuar a me apegar, mas sem me apagar. Porque, como diria Clarice Lispector, serei sempre apego pelo que vale à pena, e desapego pelo que não quer valer...
Hoje eu celebro, não mais o meu aniversário de nascimento, mas o meu aniversário de libertação. E eu já recebi os parabéns por isso, de pessoas muito queridas que me acompanharam nessa jornada. "Parabéns pra ti, que um ano depois está aí sozinha se reerguendo." Sim, eu celebro esta vitória e a dedico aos meus amigos, que são a família que a vida e a estrada me deram.
E, curiosamente ou não, recebi esta semana uma mensagem que traduziu todo o meu momento, toda a minha energia e me ajudou a dar mais um importante passo nesse caminho de reencontro comigo mesma:
"Semelhante atrai semelhante. Se sentes que os teus relacionamentos, gostos e hábitos estão a mudar, não te assustes. Estas a sintonizar-te na tua nova vibração. Quando amamos, atraímos amor; quando somos tolerantes, atraímos tolerância, e assim é para tudo. Todas estas mudanças, tudo o que para trás fica, fazem parte do teu caminho espiritual. Entrega e confia. Se precisares de ajuda para encontrares o que procura, ora aos arcanjos Raguel e Chamuel. Pede lhes ajuda para te manteres fiel a ti mesma neste importante momento de mudança. Abraça a mudança, mas sê sempre fiel à quem és, aos teus sentimentos, crenças, e a ti mesma."
Hoje agradeço e celebro a minha nova vibração, a mudança e a fidelidade à mim mesma. Porque tudo está certo, porque tudo ainda está por vir...

domingo, 21 de agosto de 2016
domingo, agosto 21, 2016 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
Dando uma olhada nos posts de amigos no face, descobri o blog Mãe Fora da Caixa e assim SUPER-HIPER-MEGA me identifiquei... Eu sou uma mãe TOTALMENTE fora da caixa! Amamentei muuuito deitada (os dois faziam meu peito de chupeta), nunca deixei meus filhos chorando no berço, nunca criei eles numa bolha (eles se sujam, comem do que cai no chão, se machucam, brincam, não tem parafernálias eletrônicas e são super saudáveis!), o Dimi dorme até hoje na cama comigo e a Layla quando dá dorme também... Quis muito ter os dois de parto normal mas na primeira fui vitima do sistema de planos de saúde e na segunda tinha risco para o Dimi, então fiz cesarea sim. Sempre criei eles para o mundo e estou criando eles sozinha há um ano e na boa, caguei para todas as convenções do "ser boa mãe". O que rola agora entre nós é muito companheirismo, muita amizade, muito respeito e muito amor. Eles sabem desde cedo que eu sou humana, mortal e que erro tanto ou mais que eles, mas que faço tudo com muito amor! Não há hipocrisia nem falsidade, há bons e maus momentos como em tudo na vida e eles sabem desde já que o mundo não é um mar de rosas, mas que a felicidade está nos pequenos detalhes... A gente ri junto, chora junto, tem horas que eles sabem que preciso de um tempo pra mim, assim como eles precisam de um tempo pra eles... Já ouvi coisas como "não gostei do teu comportamento com seus filhos", "não podes falar certas coisas com eles" e blá blá blá, mas eu crio eles sim de igual pra igual. Somos uma "cooperativa", com algumas regras é claro, mas acima de tudo com muito, mas MUITO AMOR. E não deveria ser isso o que conta?!
Foi pelo post abaixo que me identifiquei:
Mãe Fora da Caixa
E a gente escuta "Não pode dar o peito deitada.". É porque eles não sabem do nosso cansaço! "Não pode deixar dormir na sua cama." É porque eles não sabem como já tentamos fazer com que eles dormissem na cama deles! "Tem que deixar chorar no berço!" É porque eles não sabem como é difícil ver um filho precisando de um aconchego." O parto tem que ser natural" É porque eles não sabem como queríamos ter conseguido e não deu para ser! "Doce nem pensar." É porque não foram crianças, só pode ser isso "Ninar no colo está fora de cogitação" É porque não sabem que é um dos momentos que mais amamos! A sensação que temos é que sempre estamos fazendo algo errado.
A tão famosa culpa materna não é coisa criada na cabeça das mães e sim implantada na cabeça das mães pela sociedade, afinal a maternidade é instintiva e particular de cada mulher!
Só vamos nos livrar da culpa quando passarmos a ouvir mais nossos instintos e deixarmos a maternidade ser o mais natural possível, sem tantas regras, e sem tantos certos e errados ditados por uma sociedade que romantiza uma das coisas mais desafiadoras para uma mulher, ser mãe!
Texto: Thaís Vilarinho @maeforadacaixa
Imagem: @mindful_mamas
A tão famosa culpa materna não é coisa criada na cabeça das mães e sim implantada na cabeça das mães pela sociedade, afinal a maternidade é instintiva e particular de cada mulher!
Só vamos nos livrar da culpa quando passarmos a ouvir mais nossos instintos e deixarmos a maternidade ser o mais natural possível, sem tantas regras, e sem tantos certos e errados ditados por uma sociedade que romantiza uma das coisas mais desafiadoras para uma mulher, ser mãe!
Texto: Thaís Vilarinho @maeforadacaixa
Imagem: @mindful_mamas

sábado, 30 de julho de 2016
sábado, julho 30, 2016 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
Sempre brinquei que eu era uma "pseudo-escritora", porque tinha lançado uma vez um livro que foi vendido sob demanda pela internet, um relato de uma viagem que fiz em 2011. Agora, com mais dois livros finalizados, acho que posso me considerar uma escritora a sério, mas sem a pretensão de figurar entre a lista de mais vendidas ou mais lidas. Apenas a felicidade de poder compartilhar com quem quiser ler meus escritos, que são basicamente experiências baseadas nas relações humanas. E a felicidade vem agora na oportunidade de lançar o livro Diálogos (reais) de um Psicopata.
O lançamento oficial será em Outubro e quem tiver interesse em comprar o livro, basta acompanhar a página oficial.
Mais uma vez a gratidão que sempre me acompanha, e neste caso em especial, gratidão a todos aqueles que me acompanharam na jornada desafiante de publicar um livro como este. Espero que gostem e que possa contribuir para o debate construtivo sobre o assunto.

sábado, 23 de julho de 2016
sábado, julho 23, 2016 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
Entro na grande sala da fazenda e escuto alguém ao piano. Uma bela melodia, que me remete a profundos sentimentos. Quem está sentado ao piano é um jovem estrangeiro, assim como nós. Comento com meu companheiro: "Ele toca bem!". Alguns momentos mais tarde, quando vamos todos para a casa ao lado da fazenda, para uma confraternização de despedida, passo por esse jovem e ele faz um comentário sobre a minha blusa: "Hum, Pink Floyd, really nice!".
Fazemos, eu e meu companheiro, a apresentação, enquanto o jovem nos filma e fotografa. Antes, durante o churrasco preparado em conjunto, cheguei a trocar algumas palavras com ele, arranhando o meu péssimo inglês e ele me ajudando a formar as frases: "I go in the past?" "It's I went". Era a primeira lição de inglês que ele me daria. Ao fim da apresentação, mais algumas conversas, mas o cansaço e o dever de fazer as malas para a partida no dia seguinte me obrigam a me recolher, acreditando que nunca mais veria aquelas pessoas novamente.
Mas o mundo dá voltas. E muitas voltas. E aquela noite de 23 de julho daria sentido a todo o ano que a sucederia. Porque às vezes basta uma noite para dar sentido a uma vida inteira...
sábado, 16 de julho de 2016
sábado, julho 16, 2016 por Grazi Calazans em blog 5 comentários
Você tem um registro de nascimento, tem um nome, uma data de aniversário, uma identidade, uma história sobre a sua origem. E vive trinta e quatro anos acreditando naquilo. Passa trinta e quatro anos contando a história que lhe contaram. E aí você descobre que era tudo mentira...
Até 2014, eu comemorava meu aniversário no dia 10 de setembro, achava que era virginiana, que tinha nascido em Brasília e que era neta de italiano e bisneta de espanhol. Sempre fui muito ligada à astrologia e achava que algumas coisas no meu signo não batiam nada comigo, exceto pela característica do perfeccionismo virginiano, um traço forte na minha personalidade. Na minha certidão, apesar da minha data de nascimento constar 10 de Setembro de 1980, o registro tinha sido feito apenas em Junho de 1981 e eu sempre achei isso um pouco estranho. Quando questionava a minha mãe ela dizia que tinha sido porque o meu pai demorou muito para ir me registrar por problemas burocráticos, porque também constava na minha certidão que eu tinha nascido em casa. E as fotos de mim bebê, só começavam em 1981, porque ela dizia que tinha perdido o álbum das fotos de quando eu era recém-nascida. Ou seja, tinha algumas informações ali que não batiam, que eu achava estranho, e aquele sentimento de que provavelmente eu tivesse sido adotada sempre me acompanhou, desde que eu me entendo por gente. Esse sentimento vinha mais de uma sensação de peixe fora d'água, porque nunca me identifiquei com absolutamente nada nos meus familiares. Mas existem tantos casos de "ovelhas negras" da família, que acabei me acostumando por ser uma dessas pessoas, a ovelha negra, a inadaptável, a rebelde sem causa.
O meu relacionamento com a minha mãe sempre foi, na verdade, muito complexo, desde os primeiros anos da minha adolescência. E quando as pessoas me diziam que era assim mesmo, que o dia que eu fosse mãe eu a entenderia, eu tentava acreditar nisso, mas quando fui mãe aconteceu justamente o contrário. Comecei a questionar ainda mais o comportamento dela, suas atitudes e a forma como ela agia comigo. Eu sabia que tinha algo de muito errado, mas não sabia exatamente o que...
Foi só em 2014 que a verdade começou a se revelar. E foi por causa de uma foto que coloquei no Facebook (benditas redes sociais), onde apareciam meu filho e meu pai e eu citava que os olhos azuis do meu filho vinham do avô. Uma filha do primeiro casamento do meu pai comentou então nesta foto: "Como assim? Você não sabe a verdade?" e depois um irmão dela também colocou em um comentário: "???????". Pronto, foi o suficiente para aquela minha dúvida sobre ter sido adotada se tornar algo concreto. No mesmo dia, questionei essa minha "meia-irmã" sobre o seu comentário e ela me disse que eu deveria ir atrás da verdade, que eu deveria conversar com meus pais, pois eu até podia ter descendência italiana e espanhola, mas eu não tinha nascido em Brasília, e sim no sul do Brasil. Nesta época, eu estava viajando com a minha família, no projeto Família a Bordo, e apesar de me intrigar muito com a revelação da minha irmã, o meu companheiro achou que aquela história era muito fantasiosa, que provavelmente era uma intriga de alguém invejoso, que não deveria atrapalhar a nossa viagem, os nossos planos... Tentei esquecer o assunto e seguimos com a nossa viagem, que terminou com a nossa mudança para Portugal. Mas como esquecer algo assim tão revelador? Ok, ser adotada não é nenhuma coisa do outro mundo, tanta gente é, e como eu sempre desconfiei, se fosse verdade mesmo seria até um alívio para mim... Mas como saber a verdade? Porque quando eu questionei uma vez o meu pai, em uma conversa um ano antes daquela foto, ele me negou que eu tivesse sido adotada. Então por que minha irmã diria aquilo?
Passei o final daquele ano com essa ideia na cabeça e comecei a questionar outros familiares. Foi então que as coisas foram se revelando:
"Sim, você foi adotada, sua mãe lhe pegou no sul, ela queria muito uma menina, mas como não podia mais engravidar, ela lhe adotou. Mas aposto que ela te ama muito, porque ela sempre quis ter uma menina".
"Sua mãe teve que retirar o útero quando seu irmão nasceu, porque teve complicações. Ela queria uma menina, aí quis adotar, mas seu pai não queria, então ela 'deu um jeito'. Ela se envolveu com uma amiga meio barra-pesada que 'arrumava' crianças no sul e apareceu com você em Brasília. Quem cuidou de tudo foi o advogado da família, que era muito amigo dela, mas ele já faleceu há muitos anos. Era ele que sabia da história toda. Mas pelo que me lembro, a sua mãe recebia até cartas de ameaças dessa mulher, que tentou chantageá-la depois. Você provavelmente era a irmã caçula de 12 filhos, e talvez até tivessem gêmeos entre seus irmãos. Acho que você nasceu em Foz do Iguaçu em 9 de Julho, não sei se de 1979 ou 1980. Ninguém sabe ao certo como ela fez. Se ela te comprou, te roubou, ou o que foi. Só sei que não foi uma adoção legal. Seu nome acho que era Janaína..."
Essas revelações, vindas de parentes muito próximos a minha mãe, foram um grande choque para mim, ao mesmo tempo que eram respostas a muitas dúvidas e acontecimentos de toda a minha vida. Mesmo sabendo que tinha algo errado, eu não imaginava que podia ser tão errado. Aliás, sim, eu podia imaginar qualquer coisa vindo da minha mãe, porque ela já tinha me provado do que era capaz, tanto que eu não falava com ela já fazia mais de três anos. De repente, me vi como uma personagem de novela das oito, envolvida em uma história cheia de mentiras e intrigas. E se eu tivesse sido roubada? Como mãe, fiquei imaginando o sofrimento da minha mãe biológica, que pode ter me perdido e que, se ainda for viva, pode ainda estar sofrendo, ainda com a esperança de um dia me encontrar... Eu também posso ser filha de alguém muito pobre que quis me vender, ou posso ser filha de uma prostituta que me abandonou. Seja qual for a história, meu único desejo era saber a verdade, é um direito meu. O primeiro impulso foi ligar ao meu pai e questioná-lo por que ele me mentiu quando lhe perguntei da adoção. Quando confrontei-o por telefone, dizendo que já sabia a verdade, ele confessou, me pedindo desculpas pela mentira, mas ele tinha prometido que nunca me contaria nada. Mas sim, ele confirmou que a minha mãe adotiva 'apareceu' comigo em Brasília, que ele só sabia que ela tinha me pego no sul, mas não tinha ideia de como ela tinha feito isso. Ela lhe disse que tudo estava resolvido e que bastaria eles me registrarem. Ele me levou então a um pediatra que "chutou" a minha idade, dizendo que eu devia ter perto de um ano e eles fizeram uma certidão de nascimento com todos os dados falsos. Ter a confirmação disso foi ainda mais atormentador para mim, e foi montando o quebra-cabeças na minha mente. Janaína? Apesar de não achar nada demais nesse nome, eu sempre o utillizei em todas as minhas brincadeiras de infância, talvez fosse o meu subconsciente que o guardou na memória. Ser do sul? Eu nunca me senti pertencente ao Rio de Janeiro, apesar de ter sido criada lá e quando fui morar no Rio Grande do Sul, me identifiquei muito com aquela terra. Não conheço Foz do Iguaçu, mas sempre tive uma atração especial por toda a região sul do Brasil. E no fim eu sou do sul... Não contei nada a ninguém, apenas parei para conversar sobre tudo aquilo com meu companheiro. E foi então que outras verdades começaram a surgir...
Quando você espera que a pessoa que está ao seu lado por quase dez anos, a pessoa para quem você dedicou 1/3 da sua vida te apoie em um momento tão difícil, o que essa pessoa faz? Ela diz que você apenas tem que "superar" os traumas e seguir adiante, porque os seus problemas não podem atrapalhar os planos dela... É fato que já estávamos em crise há alguns meses, pois as dificuldades que enfrentamos na nossa mudança para Portugal começaram a revelar algumas coisas que antes eu não conseguia perceber. E foi essa minha "crise" pessoal, esse perder o chão sobre a minha origem, ficar no escuro, sem saber absolutamente nada do que realmente aconteceu, que desencadeou uma crise ainda maior entre nós. Eu estava sozinha, sem ninguém com quem pudesse apenas conversar sobre aquele turbilhão de emoções que me assombravam. Tentei seguir firme, pela família, e em 2015 tive uma experiência muito estranha em relação ao meu aniversário: no dia 9 de Julho estávamos em Paris, em uma viagem onde tentávamos recuperar a relação, e, apesar de não termos condição alguma para comemorações, fingimos que era meu aniversário e recebi os parabéns dos meus filhos. Mas, além desta incerteza da data de nascimento, eu tinha uma incerteza ainda maior, que era sobre estar ao lado de alguém que não se importava com o que se passava comigo. Alguém que não me amava de fato, mas amava a vida que conseguia ter comigo. E foi na minha data de aniversário falsa, o antigo 10 de setembro, que chegou o ponto final, quando peguei os meus filhos pelo braço, com a roupa do corpo, e vim embora para Lisboa, depois de algumas semanas da nossa volta da viagem de tentativa de recuperação. Naquele dia, ainda recebi os parabéns de muitas pessoas, afinal era a data que eu passei trinta e quatro anos comemorando... Ainda cheguei a, uns dias depois, receber dos meus filhos um bolo de aniversário com velinhas, para cantarmos o parabéns, já que não tínhamos feito isso em Julho.
Após muito tempo para digerir tanta informação, para assimilar todas as verdades que me surgiram em um ano, depois de uma vida inteira cercada por mentiras e mentirosos, eu finalmente consegui me assentar e me tranquilizar com os fatos. Conversando com alguns amigos mais chegados sobre tudo isso, alguns disseram que eu deveria escrever um livro, e isso já foi feito. Outro amigo, que soube recentemente da história, emocionou-se e me disse que não á algo que a gente simplesmente possa enterrar, como o meu ex-companheiro me sugeriu. O significado de "mentira" ganhou uma conotação totalmente diferente na minha vida. Eu nunca gostei de falsidade, sempre tive problemas para lidar com pessoas mentirosas, e agora ainda mais busco me cercar apenas de gente que tem a capacidade de falar a verdade, seja ela qual for. Também hoje em dia, acabo por contar a verdade a todo mundo, não tenho mais medo de falar nada, nem vergonha do meu passado. Por isso, apesar de algumas pessoas mais chegadas já saberem dessa história, eu decidi escrever sobre isso e contar o que aconteceu, porque esse ano decidi comemorar meu aniversário na data provável do meu nascimento, o 9 de Julho. E alguns amigos ainda se confundem. Como assim, não era Setembro? O signo de câncer tem uma infinidade de características da minha personalidade, me define e me descreve quase que na perfeição. E, mesmo não tendo certeza da data, ela é mais próxima da verdade do que o 10 de setembro, inventado em um registro falso.
E hoje completa-se uma semana que comemorei pela primeira vez o meu aniversário em Julho. Foi uma sensação muito boa, porque no ano passado foi como se eu não tivesse tido aniversário. 36 anos e a gratidão por ter descoberto a verdade, antes tarde do que nunca. A gratidão por ter tudo acontecido da forma como aconteceu, porque no fim das contas, se a minha mãe adotiva não tivesse me levado para Brasília e me criado no Rio de Janeiro, eu provavelemente não estaria onde estou hoje. Não me arrependo de nada do que vivi até aqui e não posso reclamar: chego aos 36 com uma filha de 12, que é minha melhor amiga, minha companheira eterna, e um filho de 5, que é o meu príncipe, sempre pronto para me alegrar. Comemoro este meu primeiro aniversário "real" com a certeza de que os meus projetos acontecerão, porque dependem da minha força de vontade e da minha fé, que não me faltam nunca... Gratidão por ter superado toda a mentira que me envolvia, por ter tido força para encarar todo este turbilhão emocional e me mantido sã para continuar criando meus filhos. Chego aos 36 com a gratidão de já ter podido fazer muitas vezes o que mais amo na vida: viajar e ir a shows, e com a certeza de que ainda os farei muito mais...
Na verdade, para quem diz que a vida começa aos 40, eu tenho que discordar, porque ainda faltam 4 anos para eu chegar lá e já vivi várias vidas dentro de uma... E, apesar de ainda não saber a minha origem, hoje talvez esteja vivendo a melhor de todas as minhas vidas: uma vida de verdade, de liberdade e de amor...
quarta-feira, 22 de junho de 2016
quarta-feira, junho 22, 2016 por Grazi Calazans em blog Sem comentários
As pessoas normalmente "contam" as suas vidas em semanas, meses e anos... Eu prefiro ser como as borboletas, que contam momentos, e tem tempo suficiente. Sim, para mim são mais importantes os momentos, e em poucos dias é possível termos tantos momentos incríveis, que valem às vezes por vários meses... Foi assim o meu último fim de semana, a minha "escapadinha" para a França, uma viagem vapt-vupt de cinco dias para cobrir o Hellfest Open Air e visitar amigos.
sexta-feira, 6 de maio de 2016
sexta-feira, maio 06, 2016 por Grazi Calazans em blog 2 comentários
Estava eu na sala do nosso pequeno espaço em uma garagem perdida de Lisboa, às oito da manhã, e me deparo com uma visita inesperada: um rato! Momentos de tensão para mim e para ele, enquanto as crianças dormiam. Eu, que nunca tive coragem de matar ratos, mato apenas moscas e mosquitos, e olhe lá baratas (aaargh), tinha que expulsar o intruso de alguma forma. Com a vassoura na mão e muita vontade de gritar, travei uma luta, quase que um jogo de esconde-esconde com o bicho que, mais assustado do que eu, se enfiava debaixo dos móveis.
Depois de longos instantes, consegui finalmente empurrá-lo porta afora com a vassoura e ele despencou das escadas, o que acredito ter causado a sua morte. Ficou ali o corpo inanimado estirado ao chão e eu desatei a chorar pela morte do rato e, sobretudo, pela tormenta de emoções e sentimentos que andam a relampejar dentro de mim. E o pequeno rato ainda me trouxe à mente a recordação de episódios da minha infância, quando vivia em casas que mais se pareciam com chiqueiros (talvez seja um insulto com os porcos chamar algumas casas onde vivi de chiqueiros), e ouvia aterrorizada os gritos dos ratos quando os adultos os matavam.
Chorei pelo rato, chorei pela menina assustada de 25 anos atrás, chorei pela filha que sonha em conhecer a mãe, chorei pela mãe que sonha em dar uma casa de verdade aos seus filhos, chorei pelos filhos sem um pai presente, chorei pela menina que se transformou mulher, mas que ainda é uma menina, chorei pela mulher que ainda acredita no amor, mas que não pode vivê-lo.
Um simples rato desencadeou um tsunami dentro de mim. E assim começou a minha sexta-feira...

terça-feira, 8 de março de 2016
terça-feira, março 08, 2016 por Grazi Calazans em produção Sem comentários
Produção de eventos literários em Portugal em 2014 e 2015.
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